Segunda postagem em meu blog (que emoção!). Por onde começar?? Pelo começo? Ou seja,
desde quando me interesso por línguas (Português e outras?).
Bem, acho que sim. Comecei a estudar Inglês e Francês aos 8 anos de idade, no Externato Elvira Brandão. Até hoje lembro-me dos cabelos brancos e ralos da professora de Inglês, que acho que se chamava Helen qualquer coisa e que nos distribuía reguadas para valer, e da calma professora de Francês, Eliane de Gaumont, ou algo no gênero.
No ginásio, continuei a ter Inglês e Francês, mas “alguma coisa aconteceu em meu coração” (parafraseando o Caetano), quando ouvi os Beatles pela primeira vez. Daí a querer compreender as letras foi um passo rápido. E, de volta de uma viagem para a Europa naquele estilo “Hoje é terça, isto deve ser a Bélgica”, apaixonei-me perdidamente pela Inglaterra e caí direto na Cultura Inglesa, onde o diretor, Tony McCullough, me pôs no quarto ano. Divertíamo-nos para valer quando ele lia em voz alta a peça Androcles and the Lion, do Bernard Shaw, e onde ele fazia o Androcles, a mulher do Androcles, o leão, todo mundo.
Concluí o curso com 18 anos e passei no Cambridge Proficiency Exam. O Francês continuava na escola, onde nos ministravam os cursos externos da Aliança Francesa. E a faculdade? Não pensei em línguas, pois eram uma espécie de hobby. Fui fazer Filosofia no Sedes Sapientiae, na época ainda das Cônegas de Santo Agostinho e depois encampado pela PUC. Eu adorava Filosofia e nunca me arrependi de minha opção, mas já pelo segundo ano estava preocupada com o lado prático de como ganhar a vida. E foi aí que comecei a dar aulas de Inglês no Cel-Lep, depois de um curso intensivo de Inglês em Londres, para reciclagem. Além do Inglês, tinha voltado a estudar Francês na Aliança, pois na época muito livros de Filosofia não eram traduzidos para o Português, e acabávamos lendo muito em Francês. Para não falar de muitos filósofos contemporâneos franceses, como Foucault, Deleuze, etc.
Bem, a essas alturas, terminando a faculdade, fiquei meio cansada de dar aulas. Comecei a fazer “bicos” como recepcionista em congressos, e via passar as intérpretes, que granjearam minha admiração. “Troço difícil”, eu pensava. E como sempre gostei de desafios, achei que era isso que eu queria fazer.
Não me lembro bem como, acabei sabendo do curso de Tradução e Interpretação da Associação Alumni, na época ministrado por Angela Levy e Clare Charity. Passei no teste e comecei a fazê-lo, encantada da vida. Primeiro, tomei um banho de humildade: a gente pensa que sabe ambas as línguas, mas chegada lá, levei cada susto e cada surpresa! Foi um exercício intelectual muito interessante e estudávamos para valer. Além disso, valeu-me várias amizades que perduram até hoje: as próprias Angela e Clare e uma de minhas melhores amigas, com quem comecei a trabalhar, Stella Meyer. A Stella é um talento natural para a interpretação. Já eu suava frio, ficava insegura, gaguejava. Enfim, foi na base de muito trabalho que consegui fazer alguma coisa em cabine.
Mas continuava insatisfeita, e aí decidi passar uns tempos nos Estados Unidos, para melhorar meu ouvido, visto que havia aprendido Inglês na escola e precisava de mais vivência na língua.
7 dez. 2008 at 11:19 PM
Tereza, parabéns pelo texto. Trabalho em uma multinacional americana há 7 anos e antes dava aulas de Inglês. Sinto tanta falta da época em que os alunos e eu tínhamos um ótimo convívio. As aulas eram divertidas porém a realidade financeira falou mais alto. Troquei as letras pelo turismo e agora me vem a dúvida: Devo ou não devo voltar a trabalhar com línguas? O seu texto me diz que sim! Em São Paulo penso em fazer a faculdade de Letras, tradução e intérprete da Unibero. O que achas? É um bom curso? E a profissão, como andas? Obrigado!
9 dez. 2008 at 9:42 PM
Obrigada, André. Bem,quanto à profissão: eu evidentemente adoro o que eu faço, mas acho que é uma profissão que exige algumas características psicológicas meio especiais. Veja, eu não tenho um emprego fixo há muitos anos, o que significa que é preciso economizar quando se ganha mais para as épocas de “vacas magras” (dezembro, janeiro e fevereiro). Além disso, não se pode entrar em pânico quando se fica uma semana (ou mais) em casa. O começo nem sempre é fácil, e é preciso ter um certo “colchão”(reservas de dinheiro) para aguentar essa montanha russa.
Se eu acho que compensa? Acho que sim! Çomo v. viu, a profissão me levou (literalmente) muito longe!
Não conheço o curso da Unibero. Eu fiz o curso da Associação Alumni, que formou a maioria dos intérpretes que eu conheço.
Mas v. pode se informar com meu amigo Ulysses W. de Carvalho, que tem um site chamado Tecla SAP.
Abraços e boa sorte.
17 set. 2009 at 10:57 PM
Olá Tereza. Obrigada por compartilhar como foi o início de sua carreira. Cheguei a seu blog por estar procurando um tema para o meu Trabalho de Conclusão de Curso de Tradutor e Intérprete da Universidade Metodista de São Paulo. Sou muito mais inclinada à interpretação que à tradução e confesso que quando li sobre sua experiência vi algo quase inatingível para mim. Qual foi minha surpresa quando vi que você já foi professora do Cel-lep, porque temos pelo menos isso em comum. ;) Hoje trabalho somente como professora no Cel-lep, mas gostaria muito mesmo de ingressar na carreira de Intérprete. Continuo a buscar um tema para meu TCC. Mas agradeço por conhecer através deste blog um pouco mais sobre você. Obrigada.
18 set. 2009 at 8:50 AM
Fico feliz que a tenha inspirado. Mas não entendi porque v. acha que é algo inatingível. Se é o que v. quer, animo-a a persistir. Eu não fui um talento natural: tive de persistir e estudar muito. Mas valeu a pena, pois a profissão me deu muitas coisas, entre as quais a possibilidade de viver na Europa e aprender muito. Dê uma olhada na revista Piauí deste mês, que tem um longo artigo sobre a profissão.
Quem sabe a ajude a encontrar algo para seu TCC.
11 fev. 2010 at 4:35 PM
Tereza, parabéns pelo texto, conheci seu site hoje através de uma pesquisa no Google e achei fascinante suas dicas e a história do seu início de carreira. Gostaria de saber como faço para estudar tradução e interpretação,quero me especializar em ambos, seria possível?
E qual nível de Inglês / Português preciso ter para ingressar neste curso, estou na fase final do curso de Inglês (termino em Junho) e pretendo continuar com um curso específico de Inglês para fazer a prova de FCI com certificado de Cambridge, gostaria de dicas de quais cursos devo fazer para iniciar e se vale a pena fazer uma faculdade de Tradução. Lendo seus textos vi que a profissão é grandiosa com vários caminhos a seguir e gostaria de saber como e por onde começar.
Obrigada!
24 out. 2010 at 1:59 PM
Olá Tereza, tudo bem? Eu encontrei seu blog procurando por cursos de tradução. Faz anos que me formei em Letras e gostaria de fazer um curso de tradução mais “enxuto”, não como nas aulas da faculdade. Algo mais voltado para a formação do tradutor e mercado de trabalho sabe? Infelizmente, até o momento não encontrei nenhum curso de formação de tradutores aqui em Belo Horizonte.Fico impressionada e entristecida com isso…mas aguardo uma oportunidade de poder viajar e fazer um curso em outro Estado. Gostei muito do seu post!!!
14 jan. 2011 at 5:23 PM
Olá Tereza, aconteceu agora comigo aquilo que aconteceu com Dirci. Sou fluente em italiano e procuro já ha um ano um curso para intérprete ou mesmo tradutor.
Não achei nada até agora, só na área do inglês. Mas eu amo italiano.
Aliás eu tenho cidadania italiana..Como sou de Curitiba,gostaria de ficar por aqui ou mesmo em SAMPA ou Floripa.
Mas tá difícil de encontrar.
Agradeceria se me respondesses alguma coisa, dando-me uma luzinha
Lucia