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30 set. 2008 por Tereza Sayeg Volta à cronologia

Bem, agora que tenho certeza de que tenho leitores, fiquei bem mais animada a escrever. E olhando a RTPI (Televisão Portuguesa Internacional) fiquei de repente morta de saudades de meus amigos portugueses de Bruxelas. E comecei a lembrar-me dos primeiros dias de trabalho. Caí literalmente de paraquedas, e lembro-me de meu primeiro dia. Muito emocionada, cheguei a um edifício da Comissão Europeia (nova ortografia, não creiam que me esqueci do acento) chamado Albert Borschette, na place Jourdan. Cheguei à 9:30 da manhã, para ter tempo de olhar os documentos (as reuniões começam geralmente às 10) e não havia quase ninguém! Fiquei espantadíssima e quem me ajudou foi um colega holandês, o Henk, de quem acabei ficando amiga. Ele foi um dos primeiros a me ajudar a buscar documentos, etc. Lembro-me também de ter perguntado a uma colega portuguesa, Rosário Carneiro, onde poderia encontrar água, e qual não foi minha surpresa quando ela disse: “Na casa de banho” !! De repente me dei conta de que sabia quase nada sobre Portugal e de que havia diferenças entre o Português do Brasil e o Português de Portugal. Além disso, o Espanhol de Espanha era completamente diferente do latino americano, ou melhor dos vários latino americanos, o Francês dos belgas idem, o Inglês dos irlandeses incompreensível para mim, em resumo, foi dificílimo no começo!
Foi quase reaprender minha própria língua, além de ter de aprender várias outras. Sem falar no jargão comunitário, muito específico, e no que eles chamam de “acervo comunitário”, ou seja, tudo que já existe em termos de legislação, etc. Não modifiquei meu sotaque, é óbvio, pois não consigo reproduzir a fonética portuguesa, muito mais complexa que a nossa, mas tive de readaptar muito vocabulário.
Por exemplo, um fato em Português de Portugal é um terno. O que nós chamamos de fato para eles é um facto. Portanto, é importante estabelecer a diferença na pronúncia, pois há aí uma diferença de sentido. E há coisas como “cimeira” para conferência de cúpula, “retrete” ou “sanita” para vaso sanitário, “duche” (no masculino, um duche) para chuveiro, etc. Acabei aprendendo depressa, pois alguns de meus primeiros amigos foram colegas de cabine, entre os quais Pilar Ribeiro, Rui Duarte e Stella Costa Santos, grandes e queridos amigos até hoje (e em ordem alfabética, pois todos eles têm espaço igual em meu coração). É importante usar essas expressões no dia a dia, para se tornarem automáticas na cabine.
E eu também via muita televisão, sobretudo em Inglês e Francês. Nesse meio tempo, depois de ficar três meses no aparthotel, consegui um apartamento mobiliado num bairro elegante de Bruxelas, Woluwé Saint Lambert. O apartamento estava a vinte passos do metrô, com o qual eu chegava ao trabalho em 5 minutos, porta a porta.
Também comecei a fazer ginástica, onde conheci mais pessoas.
Conheci outra grande amiga também nessa época: Sandra Gallina, italiana, nascida na Venezuela.
Sandra é altíssima, e tem Português em sua combinação linguística. Um belo dia, vem ela me perguntar expressões portuguesas no banheiro do Conselho de Ministros (o órgão legislativo da União).
Estava lendo um livro de um autor português, Miguel Esteves Cardoso, cheio de crônicas deliciosas.
Como eu não conhecia muitas das expressões, acabei perguntando a outro colega, Carlos Alegria (também acabou se tornando meu grande amigo). E assim fui aprendendo muitas coisas. Mas minha principal preocupação foi tentar aprender Espanhol a sério, pois a Presidência do Conselho seguinte era a espanhola.
Não sei se sabem que na União Europeia, um país assume a presidência do Conselho de Ministros a cada seis meses. Assim, representantes daquele país presidem a todas as reuniões no Conselho. O Conselho de Ministros é o órgão legislativo da União; a Comissão é o executivo, com direito a propor legislação, e o Parlamento Europeu e o Comité Econômico e Social são órgãos consultivos. Hoje em dia
(já há mais de 10 anos), há também o Comité de Regiões, outro órgão consultivo.
Com a perspectiva da presidência espanhola no semestre seguinte e desesperada pois os entendia muito mal, decidi ir para Santander (Cantábria, norte da Espanha) durante o mês de agosto daquele ano, para aprender um pouco mais. Fiquei completamente apaixonada pela Espanha e pelos espanhóis.
Na minha cabeça, a Espanha ainda estava na época de Felipe II, todos vestidos de preto e de golas “fraise”, aquela gola de renda em camadas… Surprise, surprise! A Espanha estava em plena ebulição da “movida”, tirando o atraso dos anos de ditadura franquista. Além disso, Santander é uma cidade de veraneio muito agradável, e a Universidad Internacional Menendez Pelayo tem grande tradição no ensino de Espanhol como segunda língua.
Hospedei-me com uma família espanhola: pai (Enrique), mãe (Nati) e filho único (já não me lembro do nome). Os santanderinos têm longa tradição de alugar quartos, visto ser uma cidade balneária. Lembro-me que achei estranho o café que me servia Nati. Quando olhei melhor, vi que era chicória, coisa que devem ter usado desde a guerra civil. Tratei de comprar Nescafé rapidamente…
Os hábitos e horários espanhóis também são muito diferentes. Por exemplo, ao meio dia eles comem um lanchinho (que pode ser un pincho de tortilla) e um café (solo o cortado con leche). Àquela hora, eu já estava varada de fome e aquilo para mim era o almoço… Eles iam almoçar às três da tarde.
Às vezes, em vez de fazer curso de língua espanhola com os estrangeiros, eu ia para o Palácio de la Magdalena, antiga residência de verão dos reis da Espanha, onde havia cursos que davam créditos para universitários espanhóis. O importante para mim na época era ouvir, e não falar. E os cursos eram fantásticos! Lembro-me de ter feito um sobre a transição para a democracia, com gente que tinha feito a transição, como o deputado comunista Santiago Carrillo, que contou da tentativa de golpe contra o Parlamento, o famoso 23 f (de fevereiro). Tinha gente pendurada no lustre, de tão cheio!
À tarde, havia cursos de Literatura, História e Geografia no Edifício Las LLamas, onde são as aulas para estrangeiros. Ótimos também. Eles também convidam escritores famosos para falar, há filmes, concertos e até aulas de flamenco! AMEI minha temporada espanhola!
De volta a Bruxelas, fiz o teste para acrescentar Espanhol como língua de trabalho. Passei, mas neca de contrato como temporária, que era o que eu queria. Continuei como freelance, mas tinha todo trabalho todos os dias. Continuava estudando Espanhol, que não é tão fácil quanto parece, por causa dos falsos cognatos, e comecei a ter aulas de flamenco, outra paixão desde que vira o filme de Saura
Bodas de Sangre. Só que eu sou ruim à beça na dança…
More tomorrow… Vou tentar arranjar umas fotos dessa época.

História profissional
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30 set. 2008 por Tereza Sayeg Amigos

Querida Mara,
É um PRIVILÉGIO tê-la como amiga e fazer parte desse grupo maravilhoso Por Um Brasil Melhor. Todo meu carinho e admiração,
Tereza

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30 set. 2008 por Tereza Sayeg Ufa! Finalmente tenho leitores (2)

Tenho recebido muitos comentários ao site e ao blog e fico muito feliz com eles. Peço desculpas também por às vezes não conseguir atualizar o blog ou escrever mais. É que felizmente ando trabalhando bastante.
Mas prometo contar mais de minha história bruxelense e episódios da atualidade no Brasil.

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30 set. 2008 por Tereza Sayeg UFA! Finalmente tenho leitores!

Pessoal,
Fiquei super feliz com as visitas e os comentários! E peço que me deem sugestões, façam perguntas, etc. Assim poderei tornar este espaço mais interessante para mais pessoas.

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25 set. 2008 por Tereza Sayeg Lançamento do novo site

Estou animadíssima com o lançamento do novo site.

São muitas novas perspectivas, inimagináveis há algum tempo. Bem, eu já adoro a possibilidade de me comunicar com meus amigos fora do Brasil através do Skype ou Skype Out.
E agora acho que vou poder me comunicar com mais pessoas, o que é sempre ótimo

Fico maravilhada com essas novas possibilidades. Abrem-se oportunidades para pessoas do mundo inteiro, pessoas afastadas do eixo tradicional do poder político e econômico. Na minha modesta opinião, trata-se da maior inclusão social da história da humanidade.
Desde que, evidentemente, exista infraestrutura disponível para facilitar o acesso à internet.
É aí que reside o papel do Estado: garantir esse acesso. O resto podem deixar por nossa conta…

Eventos, História profissional
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17 set. 2008 por Tereza Sayeg Digressões e mais digressões

Estou ficando “preguiçosa” para escrever. É que tenho trabalhado muito! No começo do mês, tive o que chamo de “semana francesa”: vários dias trabalhando com uma empresa francesa e depois com um pensador do marketing do luxo, também francês. É impressionante como o conteúdo dos trabalhos varia. E os franceses têm algumas características próprias que eu adoro!

Depois disso, foi a semana do imobiliário: o Congresso Internacional da Associação Brasileira dos Shopping Centers e coisas afins.

Realmente, é um privilégio estar a par de tantas coisas bacanas que acontecem por aí. Infelizmente não posso entrar muito em detalhes, pois muita coisa é confidencial. Mas sem dúvida a profissão tem esse caráter generalista e também de estar sempre “na crista da onda”.
Abraços a todos, pois já é hora de dormir!

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17 set. 2008 por Tereza Sayeg Há quanto tempo!

NOSSA! Dei-me conta de que não escrevia há muito tempo! É que a vida anda corridíssima, com trabalho inclusive aos fins de semana. E com muita variedade de línguas, temas, etc., o que complica um pouco mais nossa vida, pois há que estudar, ver glossários, essas coisas.

Amanhã, por exemplo, vou traduzir um grande educador espanhol. Mas como já fiz várias coisas relacionadas à educação, acho que vai ser mais “light”…

Hoje foram dois uroginecologistas (um chileno e um argentino) falando de prolapso do útero, incontinência urinária e os novos métodos para correção desses problemas. Com direito a cirurgias na tela, etc. Nem sempre eu consigo olhar.

Enfim, acho que a cronologia belga com a continuação do início de minha vida na Bélgica e de meu trabalho para as instituições européias vão ficar para uma próxima…

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17 set. 2008 por Tereza Sayeg Cronologia e atualidade

É difícil ater-me à cronologia, com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Na semana passada, por exemplo, depois de um dia falando de gerenciamento de projetos, à noite acabei no evento Yoga para a Paz, organizado por minha ex-colega de colégio Márcia de Lucca, a quem não via há muito tempo, com um guru indiano explicando o que é o darma, etc. Fizemos até uma meditação em cabine, e acho que depois do relaxamento cheguei a dormir… Mas o cômico foi o contraste… Bem, coisas desta profissão. Nesta segunda, já falei de indicadores de qualidade em Inglês e de Semiótica em Francês (nessas horas a formação em Filosofia ajuda!).

Mas voltando à vaca fria, ou melhor, a Bruxelas: lá cheguei com minhas malinhas. Tinha reservado um hotel daqui e quando o motorista de táxi ouviu o endereço, disse-me que não era lugar para moças de família. Com isso, acabou me levando a um hotel perto da sede da Comissão, o famoso edifício Berlaymont, construído sobre um antigo convento das Cônegas de Santo Agostinho, da mesma congregação dos colégios onde estudei por aqui.

O hotel, que já não existe mais, chamava-se Archimède, em homenagem à rue Archimède. Passei lá a noite e no dia seguinte saí para procurar um banco para trocar dinheiro e pagar o hotel (tempos heróicos, aqueles, onde quase não se usava o cartão de crédito). Lá ouvi duas moças conversando em Português com um dos caixas, um senhor de Cabo Verde que acabou ficando meu amigo. E eles me deram o endereço de um aparthotel, obviamente muito mais adequado para estadias mais longas (e mais barato também). Tive sorte e arranjei um flat naquele dia mesmo! Começava bem um dos melhores períodos de minha vida.
Em seguida, fui tentar marcar uma entrevista com minha conhecida e agora amiga Catriona White.
Como não tinha transferido meu domicílio profissional para Bruxelas, demorei um certo tempo para começar a trabalhar. Cerca de seis semanas, se não me engano. Mas depois disso comecei a trabalhar praticamente todos os dias até o final do semestre.

Logo, logo conto mais.

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17 set. 2008 por Tereza Sayeg Volta à cronologia

Só hoje dei-me conta de que não escrevia há muito tempo. Bem, confesso que o fato de não haver comentários também me desanima um pouco.

Mas voltando à cronologia: desanimei com as poucas perspectivas imediatas em Bruxelas, e decidi voltar ao Brasil. Só que a situação por aqui tampouco ia bem. Foi a famosa década perdida de 80, em que o Brasil - depois de um crescimento extraordinário na década de 70 - começou a patinar. Inflação, ou melhor, estagflação, que é o pior dos mundos: inflação sem crescimento. Quem tinha dinheiro em aplicações ainda conseguia defender-se, mas eu comecei a achar que não havia futuro para minha geração. Trabalhava muito, sobretudo com traduções escritas, sempre “para ontem”, mas achava que não chegaria a lugar algum. Trabalhava fins de semana, varava noites, mas não me convencia. Assim, comecei a acalentar a idéia de ir-me embora. Custou, pois não é fácil simplesmente fazer suas malinhas e ir, mas foi exatamente isso que eu fiz.

Fiquei sabendo que a Comissão e o Parlamento estavam precisando de intérpretes de língua portuguesa, e fui até Bruxelas em 1985 para ver como estava a situação. Disseram-me que já havia muitos brasileiros no staff, e que só poderiam me contratar como free-lance. Isso me desanimou um pouco, pois havia toda a questão de autorizações de residência, etc., mas decidi ir tentar a sorte. Assim, num belo dia 10 de janeiro de 1988 embarquei para Bruxelas, sem conhecer lá mais que meu ex-namorado - que nesse meio tempo tinha se casado com outra - e Catriona White, que foi muito generosa comigo e me convidou para várias coisas logo que cheguei lá.

Mas isso é uma outra história que fica para uma outra vez…

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17 set. 2008 por Tereza Sayeg Estar “antenado” é fundamental para o intérprete

Outra reunião instigante: as muitas coisas que se podem fazer com cartões de crédito, novas formas de pagamento, etc.

Os clientes ficaram satisfeitos por eu conhecer o jargão dos cartões de crédito. Por sorte eu já trabalhei para esse setor, e acabamos por aprender muita coisa e memorizar o vocabulário. Há muita interligação entre as coisas, e o intérprete tem de estar “antenado” (como se diz atualmente), pois nunca se sabe o que pode aparecer. Mas às vezes as coisas são tão modernas que nem sequer há jargão para elas em Português.
Prometo voltar à cronologia qualquer dia destes, mas voltando à vaca fria, é importante ler sobre vários setores, Política, Economia, Medicina, etc., etc

Eu ultimamente leio até o Suplemento Agrícola, pois nunca se sabe…

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