Achei que deveria contar-lhes como é a vida de um intérprete nas instituições européias, pois é muito diferente da profissão aqui no Brasil. Aqui por ex., é-se chamado muitas vezes de um dia para o outro
(meu caso hoje: fui chamada para trabalhar amanhã). Isso é comum quando se trabalha no mercado privado.
Agora, quando se trabalha para instituições, a coisa é mais organizada. Claro que há reuniões inesperadas (por ex., se houver uma crise, uma catástrofe, essas coisas). Mas em geral é tudo planejado com antecedência, sobretudo porque às vezes os delegados vêm de cada Estado-membro da União Europeia só para a reunião. E eles precisam organizar as salas (ver se há salas disponíveis) e os intérpretes, o que não é nada fácil se pensarmos que atualmente são 20 línguas de trabalho!
É,vocês leram direito: são vinte e sete Estados-membros e 20 línguas oficiais. Nem todas as reuniões se realizam com as 20 línguas oficiais. Só quando são reuniões políticas de muita importância, tipo Conselhos de Ministros, quando vêm os Ministros dos 27 Estados-Membros.
Geralmente as reuniões têm um regime linguístico variável, dependendo das necessidades, que pode ir de 3 (Inglês, Francês e Alemão) a 6, 9, 12. É variado. Quando as reuniões têm até 6 idiomas, há dois intérpretes por cabine. Quando há mais de seis línguas, há três intérpretes por cabine.
7 Oct. 2008 at 4:31 PM
Você deve ficar maluca! Uma dúvida, quando há três por cabine, vocês não podem se confundir? Imagino a tradução como uma profissão de concentração.
8 Oct. 2008 at 5:25 PM
Tereza,
Tenho muita curiosidade sobre como isso tudo é gerenciado. Por exemplo, quando trabalham com 9 idiomas. Quem define em que idioma um determinado político vai ouvir? É ele mesmo que escolhe o idioma no fone (headset)? ou isso é definido por um controlador.
Parabéns pelo ótimo trabalho aqui no site.
Abraço,
8 Oct. 2008 at 9:26 PM
Explico logo mais no blog!