Peço desculpas pela longa ausência, mas ainda estou trabalhando bastante. Só agora que as coisas começam a desacelerar, o que vai me dar tempo para contar sobre minha vida na Europa e abordar outros temas interessantes para a profissão, tais como “booth manners” (em tradução livre, “etiqueta na cabine”).
Vamos lá: considero importantíssima uma certa etiqueta na cabine, pois no fim das contas, está-se num espaço mínimo, normalmente escuro e quente, com outra pessoa que às vezes nem conhecemos muito bem ou que tem hábitos completamente diferentes dos nossos.
Além disso, há coisas que irritam profundamente os ouvintes. A AIIC (Associação Internacional de Intérpretes de Conferência, sediada em Genebra) já fez inúmeras pesquisas de satisfação de ouvintes e parece que a coisa que mais irrita os ouvintes é o intérprete mexendo o tempo todo em papéis, vasculhando bolsas, esse tipo de coisas.
Acho importante também cuidar da voz e tentar imitar as inflexões do orador. É preciso quase que “encarnar” o orador. Como eu disse em outra ocasião, o intérprete é um “meio” pelo qual passa a comunicação. Quanto mais “invisível” melhor, se bem que às vezes isso é impossível, especialmente em consecutiva. Mas a profissão não tem nada a ver com “estrelato”, muito pelo contrário.
Pelo menos é essa minha opinião.
Aceito sugestões.