Desculpem minha longa ausência, mas estive de férias - depois de um ano muito intenso, e em seguida fui para Belém, para minha primeira experiência no Fórum Social Mundial.
Nunca havia estado em Belém e gostei muito da cidade, que tem ainda belos vestígios da época da borracha: o Teatro da Paz, vários mercados e casas.
A comida é maravilhosa e o povo amabilíssimo. Há restaurantes fantásticos, como o Manjar das Garças, num parque conhecido como Mangual das Garças, onde se podem ver pássaros belíssimos, como o guará, que é da cor do coral, e o Remanso do Peixe, muito menos elegante mas com uma comida caseira divina. Gostei muito também do Pomme D’Or, que fica no parque da (antiga) Residência do Governador. Além da bela residência propriamente dita, há um orquidário e um antigo vagão de trem onde se pode tomar deliciosos sorvetes de frutas regionais como cupuaçu, bacuri, açaí, etc.
Um dos peixes mais utilizados na culinária paraense é o filhote, que é realmente o filhote de um peixe enorme que se chama piraíba. O filhote é simplesmente um dos melhores peixes que já comi. No Remanso do Peixe, minha colega de cabine e eu provamos uma moqueca paraense, simplesmente inesquecível! Nela não se usa dendê ou leite de coco e sim o caldo do tucupi engrossado, com folhas de jambu, que amortecem ligeiramente a boca.
Também adorei ver as pimentas, as frutas, as castanhas e o artesanato no famoso mercado Ver-o-Peso.
Quanto ao Fórum propriamente dito: ficamos em tendas espalhadas pelo campus da Universidade Rural
do Pará. E traduzimos um pouco de tudo, desde problemas indígenas a campanhas contra a guerra.
Não foi fácil, pois numa mesma reunião tínhamos gente do mundo inteiro muitas vezes falando outra língua estrangeira, mas o intérprete é antes de tudo um forte.
Ao olhar os colegas impávidos debaixo de uma chuva torrencial ou de um calor africano, fiquei convencida de que enfrentamos qualquer parada!