Às vezes eu mesma me admiro da variedade da vida de um intérprete. Nesta semana, por exemplo, traduzi um debate sobre saúde pública, no dia seguinte sobre Biomecânica e hoje sobre software. As duas primeiras foram tradução simultânea em cabine, com grandes auditórios, mas a de hoje foi uma pequena reunião numa empresa em que utilizamos um equipamento sem cabine.
Os participantes da reunião adoraram, pois a tradução simultânea agiliza imensamente o trabalho. Um dos estrangeiros nos disse que levou um certo tempo até adaptar-se e acostumar-se com o fato de que - apesar do orador ser homem - ele ouvia uma voz de mulher no fone de ouvido!
Também até eu me espanto com a rapidez com que nos adaptamos e aprendemos coisas. Muitas vezes aprende-se ali, na hora! Além disso, nunca podemos nos esquecer da importância da postura profissional adequada. O intérprete não pode ser muito visível, pois afinal não somos os protagonistas do evento (embora haja quem não pense assim). E também acho que não podemos ser “buddy, buddy” com o cliente, a menos que ele(a) nos dê abertura para tal.
Enfim, este é o lado interessante da profissão: poder participar - mesmo que momentaneamente - de mundos completamente diferentes. E aprender muito!