Sabem aquele de Davos? Pois é. Há uma versão para a América Latina, que este ano teve lugar em Cartagena de Indias, na Colômbia. Foi muito interessante ouvir (e traduzir) vários empresários e políticos falarem do presente e do futuro da América Latina. Entre eles, um dos candidatos à Presidência da Colômbia, Antanas Mokus, que tive o prazer de traduzir. A América Latina tem um futuro promissor se fizer a lição de casa: melhorar a educação (já há falta de mão-de-obra capacitada), a saúde, a infraestrutura, se fizer as reformas política, trabalhista, fiscal. Enfim, nenhuma novidade. Agora a questão é de fato fazê-las e não “empurrá-las com a barriga”, como se diz, pois algumas serão impopulares, pelo menos no início. Só que beneficiarão os países onde forem feitas. Cabe a nós elegermos políticos que levem a cabo essas reformas, sem as quais nosso futuro será medíocre.
Mudando de assunto, Cartagena fica no Caribe colombiano e é uma cidade espetacular! Recomendo!
Segue meu álbum de fotos.
Nos dias 22 e 23 trabalhei no Simpósio Latino-Americano de Cirurgia Robótica, que aliás não é cliente meu, e sim de uma amiga. Mas já faz três ou quatro anos que venho traduzindo cirurgias robóticas (sempre a convite dessa amiga) e simplesmente ADORO esse trabalho!
Por quê? Porque ele resume tudo o que me levou à profissão de intérprete: adoro ver médicos do mundo inteiro reunidos para tentar melhorar a vida de seus pacientes, proporcionando-lhes os maiores benefícios possíveis dentro da evolução atual da Medicina.
E tento contribuir para isso usando essas ferramentas (ou “talentos”, na linguagem biblíca) que a vida me deu. Acho legal poder contribuir para a comunicação, a divulgação da ciência, da técnica, de tudo o que possa melhorar nossas vidas e as vidas de todos. Para mim, é importante ser “do bem”, como se diz no popular.
Link para fotos do Simpósio do ano passado: http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/Cv3IRo3KdMOVjbw5RMQCqg?feat=directlink
Decidi escrever este post depois que perdi uma concorrência em que o cliente queria que se usasse tradução consecutiva num curso que iria durar duas semanas, com carga horária de seis horas por dia. Mandei um e-mail à pessoa que entrou em contato comigo, mas talvez eu não tenha explicado bem o motivo de minha recusa.
Continuo achando que a tradução consecutiva só é boa para discursos curtos, em jantares ,ou locais onde não se pode utilizar o equipamento ou o mini-equipo.
Muitas vezes o cliente não quer pagar o preço do equipamento de tradução simultânea que - admitamos - é caro. (E a propósito, eu não recebo comissão quando recomendo firmas de equipamento de tradução. Por isso é que recomendo três a meus clientes. Para que estes possam escolher a que melhor lhes convier.)
Bem, voltando à vaca fria: o preço do equipamento é caro, mas se pensarmos no custo da presença daquelas pessoas no curso, na conferência, no treinamento - quando elas são retiradas de seu trabalho normal, este pode ser ainda mais caro. Sem mencionar o custo de hospedagem, refeições, transporte, etc.
Em pequenas reuniões (dentro de uma mesma empresa, por ex.), tenho utilizado o mini-equipo, que é um equipamento com um microfone para o intérprete e fones de ouvido para os participantes, sem a cabine de tradução simultânea. Isso já reduz custos, embora às vezes não seja o ideal para os intérpretes, pois estes não estão isolados e sofrem interferência de som ambiente, conversas paralelas, etc. Mas vale muito a pena!Todos os clientes em que utilizamos o mini-equipo ficaram extremamente satisfeitos.
Assim, o que recomendo a organizadores e clientes é o seguinte: CONVERSEM com o intérprete que está coordenando o trabalho de interpretação. Ele ou ela podem aconselhá-lo sobre como maximizar o tempo e agilizar a reunião, conferência, etc.
Não tenham medo de conversar: os intérpretes jogam do mesmo lado do cliente, ou seja, querem que seu evento, sua conferência ,seu curso e sua reunião sejam um sucesso total!
Às vezes eu mesma me admiro da variedade da vida de um intérprete. Nesta semana, por exemplo, traduzi um debate sobre saúde pública, no dia seguinte sobre Biomecânica e hoje sobre software. As duas primeiras foram tradução simultânea em cabine, com grandes auditórios, mas a de hoje foi uma pequena reunião numa empresa em que utilizamos um equipamento sem cabine.
Os participantes da reunião adoraram, pois a tradução simultânea agiliza imensamente o trabalho. Um dos estrangeiros nos disse que levou um certo tempo até adaptar-se e acostumar-se com o fato de que - apesar do orador ser homem - ele ouvia uma voz de mulher no fone de ouvido!
Também até eu me espanto com a rapidez com que nos adaptamos e aprendemos coisas. Muitas vezes aprende-se ali, na hora! Além disso, nunca podemos nos esquecer da importância da postura profissional adequada. O intérprete não pode ser muito visível, pois afinal não somos os protagonistas do evento (embora haja quem não pense assim). E também acho que não podemos ser “buddy, buddy” com o cliente, a menos que ele(a) nos dê abertura para tal.
Enfim, este é o lado interessante da profissão: poder participar - mesmo que momentaneamente - de mundos completamente diferentes. E aprender muito!
Para variar, deixei de escrever por excesso de atividades. E foram todos trabalhos longos ou para os quais tive de preparar-me bastante antes. Muitos deles exigem que o intérprete se prepare, pois não se pode chegar “a frio” numa conferência sobre barragens ou otorrinolaringologia (aliás, foram os dois últimos grandes congressos que fiz). O de Brasília teve três línguas (Inglês, Francês e Português) e o de Otorrino, Inglês, Espanhol e Português.
Voltando à questão da preparação: hoje em dia, é muito mais fácil obter documentação sobre determinado evento. Muitos deles têm seus próprios sites e os consulto. Ou então uso o Google. Por ex., uma vez, para preparar-me para um seminário sobre Robótica em Medicina, coloquei o nome do palestrante no Google e voilà! Não é que vi o próprio num vídeo curto falando do robô? Foi fantástico!
Além disso, como sabem, há muitas outras coisas que me interessam. Adorei o discurso do Obama no Egito e fiquei tristíssima com a vitória (?) de Ahmadinejad no Irã. É uma pena! Quando eu tinha esperanças de “relaxamento” do punho de ferro da teocracia no Irã, qual o quê! Realmente lamentável…
Faço parte de uma organização que se chama AVAAZ, que é um grupo de pessoas que tenta influenciar políticos e o curso de certos eventos no mundo inteiro. Agora estão tentando pedir uma recontagem dos votos no Irã, pois há suspeita de fraude nas eleições. A ver vamos…
No Brasil, é lamentável o que anda acontecendo no Senado, com tanta sujeira vindo à superfície. O pior é eles acharem que não fizeram nada de errado…